Consequências Elementares


- Três Palavras: conservative
abandon
epicalyx
- Imagem #9
- Palavra Coringa: Yaff (do ingês: latir como um cachorro raivoso)
Conto traduzido do Inglês
Consequências Elementares
- Não. - Dr. Godin balança a cabeça negativamente, inspecionando de perto a amostra de Paeonia peregrina mutada com uma lupa. - Está vendo os estames? Eles ressecaram. A planta inteira murchou menos de 24 horas após ter sido exposta ao spray. Isso significa que qualquer que seja essa mutação, é vulnerável ao glifosato injetado de sódio que a Dra. Nagra inventou.
- Que ótimo! Isso significa que estamos prontos para cortar esse mal pela raiz? Literalmente. - Dra. Sanders ri consigo mesma.
- Ainda não. Precisamos realizar alguns testes para garantir que o spray não afetará a flora que não sofreu mutação. Se quisermos restaurar o ecossistema dessa área da maneira que costumava ser antes do surto, precisamos garantir que essa antitoxina não tem efeitos colaterais indesejáveis. Eu já falei com o Pietro. Ele nos trará algumas amostras da Zona Verde para que possamos avaliar os resultados de uma ampla aplicação do nosso spray. Eu não quero ser mais otimista do que deveria, Dra. Sanders, mas ... - Dr. Godin olha para um frasco da substância e suspira. - ... isso pode ser a nossa maior descoberta desde que essa coisa toda começou.
Enquanto os dois biólogos discutem o spray que poderia mudar os rumos da batalha contra a grande infestação que está varrendo fauna e flora do mapa na pequena ilha, um dos guardas do complexo adentra o laboratório com um baque, seu uniforme coberto por algum tipo de substância viscosa verde.
Dr. Godin, Dra. Sanders, temos um problema na ala de testes. - O guarda diz, apoiando-se contra o batente da porta de metal, ofegante. - É a cobaia número três. Ela…
O guarda é interrompido por estardalhaços vindos do andar de baixo, provavelmente da ala de testes do complexo. Alguns guardas podiam ser ouvidos gritando com outros cientistas para buscarem cobertura enquanto grunhidos horripilantes ecoavam pelos corredores.
- Merda... - O guarda olha para trás e franze o rosto enquanto gritos dolorosos emanam da ala de testes. - A Dra. Nagra disse que queria que você fosse lá o mais rápido possível. Parece que um dos cães infectados que estavam sob supervisão se livrou de sua cela e está fora de controle. Ela disse que a única maneira de saber se o spray funciona em animais infectados é experimentá-lo em uma das cobaias.
- Droga ... Tudo bem, diga à Dra. Nagra que eu e o Dr. Sanders estaremos lá em um minuto. Pelo amor de deus, façam qualquer coisa, mas não matem o cachorro. Precisamos dele vivo se quisermos nos livrar da infecção de uma vez por todas.
- Sim, senhor. - O guarda sai do laboratório, deixando o Dr. Godin e a Dra. Sanders sozinhos.
- Ok, é agora ou nunca. Sanders, guarde o frasco na geladeira e tranque-a. Vou pegar a garrafa de spray que Nagra preparou e encontrar o resto da equipe no andar de baixo.
- Tudo bem, não vou demorar. Tenha cuidado lá embaixo, Dr. Godin. - Sanders diz, antes de ver Godin sair do laboratório apressado, com um frasco de spray contendo alguns mililitros da antitoxina em sua mão. Com a luta contínua na ala de testes, a Dra. Sanders não consegue deixar de pensar no pior que poderia acontecer: um novo surto, desta vez dentro do complexo científico. Presos dentro de um prédio sob quarentena, não haveria maneira de escapar dos animais infectados que, um por um, fugiriam de suas celas de contenção. E se eles conseguem passar por uma porta de metal de 40 centímetros de espessura, não importa se com suas garras, dentes ou chifres, imagine o que poderiam fazer com uma pessoa...
Afugentando os maus pensamentos, a Dra. Sanders joga o frasco para dentro da geladeira e insere a senha no teclado embutido, trancando a caixa metálica. Com a crescente chance de um caos completo ganhar vida dentro no prédio, a jovem bióloga desce as escadas, passo a passo, com seu crachá batendo contra seu peito. Gritos agonizantes de outros cientistas e rosnados raivosos vêm da esquerda quando a Dra. Sanders chega ao primeiro andar. Juntamente com ruídos ensurdecedores e contínuos, é como se uma guerra estivesse ocorrendo dentro da sala. Ela rapidamente abre a porta para a ala de testes e, ao entrar na sala, fica sem palavras.
Cerca de uma dúzia de corpos encontram-se estirados sobre chão frio e agora vermelho, coberto por todo o sangue derramado. Nas paredes e até mesmo no teto, gotículas e trilhas vermelhas decoravam a sala e toda sua mobília. Sem poder reagir ao que ela testemunhava, a Dra. Sanders apenas congela e estremece quando a Cobaia #3 começa a caminhar lentamente em direção a ela. O labrador marrom, com o pêlo banhado em sangue humano de cor vermelho-escuro, balança a cauda da esquerda para a direita enquanto se aproxima mais e mais da cientista, deixando marcas de sangue no chão com as patas. O animal mutante, provavelmente tão perigoso quanto um canino selvagem, já não tem mais nariz nem rosto. Em vez disso, sua cabeça está completamente desfigurada, engolida por uma espécie de planta que cresceu a partir da base de seu pescoço. Cercadas por longas pétalas esverdeadas, as únicas características discerníveis da cabeça de um cachorro que Sanders pode notar são dentes, espalhados por todo o núcleo da flor/cabeça de cachorro mutante; pelos de cor marrom, metade de uma orelha e um único olho - triturados como se o pobre labrador tivesse acabado de ser baleado no rosto com uma espingarda. A poucos metros da bióloga, o cão deita, olhando Sanders bem nos olhos e ofegando pesadamente, com um único fio de baba escorrendo de um buraco que provavelmente costumava ser sua boca, antes de fechar seu único olho e falecer, depois de eviscerar toda a equipe que trabalhava no complexo científico.
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